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Angela Soares

Hoje é o último dia do mês de junho e muita coisa mudou desde o dia primeiro, quando houve a queda.

Era segunda feira, pela manhã, dia nublado de temperatura amena, eu corria despretensiosamente por uma calçada que, por querer, me derrubou. De quatro apoio no chão, vi o mundo rodando e meu dedo do meio da mão inchando.

Com a pancada uma dor insuportável, que não sabia bem de onde vinha, desconhecida, foi tomando conta, me desfavorecendo, invadindo minhas certezas e fazendo questão de desmoroná-las também, no chão, exatamente onde eu já estava.

Com ajuda e cuidado fui sentada e tudo girava em torno da dor.

Segurei minha mão, até então conhecida, e sem entender muito bem o que acontecia, respirei.

Constatei que a vida ainda estava ali, mesmo não entendendo bem o que ela pedia de mim.

Gelo, socorro dos amigos, hospital e uma presença forte não me deixou. Atende pelo nome de Raquel. Com ela tive a chance de dar um laço mais forte e bem feito, e esse rosto se destacou entre os demais, sacudindo as evidências do amor, da caminhada e do cuidado.

Sim, foi um dia difícil e diferente e passei por ele também. Confusa por inteira, mas atenta ao novo, que sempre está  por vir.

Vieram dias de repouso, cuidados e recomeços.

A vida ganhou outro movimento e direção, tudo por causa de um dedo do meio.

Meu corpo se organizou e reagiu para me proteger e cada movimento que até então eu conhecia e executava bem, desde o mais simples até o mais complexo, mudou e mereceu mais atenção.

A vida não foi mais a mesma e nem eu.

Me despedi de quem eu era, pois não me servia mais aquela que havia antes de cair. Tive que reaprender a andar, feito gato quando perde um pedaço do bigode e se desequilibra.

Eu caí e não há nada de incomum nisso. O que sinto de singular foi a maneira como me levantei e ainda me recupero.

 Nessas horas a vida pede distinção e as características pessoais são convocadas.

Silenciei e fui aprendendo a viver e me deixar conduzir por forças internas e por esse bioveículo que vou lapidando dia a dia.

Paciência e consideração pelo que ainda está por vir, esse é o meu lema.

Essa é a força que me move e foi assim que me deixei vir até aqui.

 Hoje é dia 30 de junho e entrego com respeito esse mês e o que aconteceu comigo.

Sem pressa, sem preocupação, em estado de recuperação, com marcas, mas sem ressentimentos.

Sou nova, tenho tempo e vivo aprendendo.

Uma resposta

  1. Linda história de vida amiga! Privilégio fazer parte!
    Oq não nos destrói nos torna mais forte!

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