Hoje é o último dia do mês de junho e muita coisa mudou desde o dia primeiro, quando houve a queda.
Era segunda feira, pela manhã, dia nublado de temperatura amena, eu corria despretensiosamente por uma calçada que, por querer, me derrubou. De quatro apoio no chão, vi o mundo rodando e meu dedo do meio da mão inchando.
Com a pancada uma dor insuportável, que não sabia bem de onde vinha, desconhecida, foi tomando conta, me desfavorecendo, invadindo minhas certezas e fazendo questão de desmoroná-las também, no chão, exatamente onde eu já estava.
Com ajuda e cuidado fui sentada e tudo girava em torno da dor.
Segurei minha mão, até então conhecida, e sem entender muito bem o que acontecia, respirei.
Constatei que a vida ainda estava ali, mesmo não entendendo bem o que ela pedia de mim.
Gelo, socorro dos amigos, hospital e uma presença forte não me deixou. Atende pelo nome de Raquel. Com ela tive a chance de dar um laço mais forte e bem feito, e esse rosto se destacou entre os demais, sacudindo as evidências do amor, da caminhada e do cuidado.
Sim, foi um dia difícil e diferente e passei por ele também. Confusa por inteira, mas atenta ao novo, que sempre está por vir.
Vieram dias de repouso, cuidados e recomeços.
A vida ganhou outro movimento e direção, tudo por causa de um dedo do meio.
Meu corpo se organizou e reagiu para me proteger e cada movimento que até então eu conhecia e executava bem, desde o mais simples até o mais complexo, mudou e mereceu mais atenção.
A vida não foi mais a mesma e nem eu.
Me despedi de quem eu era, pois não me servia mais aquela que havia antes de cair. Tive que reaprender a andar, feito gato quando perde um pedaço do bigode e se desequilibra.
Eu caí e não há nada de incomum nisso. O que sinto de singular foi a maneira como me levantei e ainda me recupero.
Nessas horas a vida pede distinção e as características pessoais são convocadas.
Silenciei e fui aprendendo a viver e me deixar conduzir por forças internas e por esse bioveículo que vou lapidando dia a dia.
Paciência e consideração pelo que ainda está por vir, esse é o meu lema.
Essa é a força que me move e foi assim que me deixei vir até aqui.
Hoje é dia 30 de junho e entrego com respeito esse mês e o que aconteceu comigo.
Sem pressa, sem preocupação, em estado de recuperação, com marcas, mas sem ressentimentos.
Sou nova, tenho tempo e vivo aprendendo.
Linda história de vida amiga! Privilégio fazer parte!
Oq não nos destrói nos torna mais forte!